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A metáfora da montanha

Reflexões sobre a vida: a metáfora da montanha.

Jung, psiquiatra suíço, dizia que a vida possui duas metades: o subir da montanha compreenderia a primeira metade, o topo da montanha seria o meio, marcando a metade do caminho, e o descer da montanha corresponderia a segunda e última etapa.

Subir a montanha, a primeira metade, é a etapa do jovem. Nela a pessoa buscaria uma adaptação social, aprenderia a jogar o jogo coletivo, aprimorando recursos individuas.

Na subida, a pessoa concentra-se em ter uma profissão, buscar uma estabilidade financeira, desenvolver e realizar sua sexualidade, casar e ter filhos.

Subir a montanha é se concentrar em se encaixar ao que existe. Muito importante nessa etapa é a expansão: o jovem não deixar que seus medos o paralisem. Não recuar diante de um emprego; não fugir de um encontro amoroso; não correr dos enfrentamentos e desafios.

As neuroses dos jovens são os entraves que ele coloca para viver essa expansão: medos, incapacidades, medo da evolução, bloqueios e inibições.

O que ocorre na segunda metade quando começamos a descer a montanha?

Muda totalmente, porque você começa a descer a montanha e na base da montanha, no final do caminho, não há nada, só a morte.

Todas as conquistas da primeira etapa, da subida, passam a ser redirecionadas para um novo viés. Há aquilo que Jung chamou de metanóia, a mudança de rumo.

Se o esforço da primeira etapa era na direção do mundo, conquistar o mundo, agora, o esforço é para dentro, através do que Jung chamou de desenvolvimento da personalidade: processo de amadurecimento que consiste numa busca espiritual.

Sua vida muda de centro: desloca-se de uma postura egocêntrica, preocupada consigo e se abre para uma missão maior, na direção dos outros, querendo fazer pelos outros e deixar um legado.

A existência da morte, ao final, ressignifica o todo. A vida adquire novas cores e um novo contorno.
Você, já com mais idade, descendo a montanha, é o mesmo jovem que subia, porém, sua intencionalidade é outra, a direção dada vai, gradativamente, mudando.

O jovem que sobe a montanha, preocupa-se consigo, vive uma vida autocentrada e, ao mesmo tempo exteriorizada, para fora. O homem maduro que desce a montanha, encontra-se voltado para dentro, porém sua ação atende à humanidade, ele busca realizar o bem aos outros.

Toda a sua concentração reside no fato de disponibilizar seus recursos para alcançar e melhorar o outro.
Subir a montanha é buscar o poder, descer a montanha é renunciar ao poder e se abrir para o amor.

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